O Glorioso Amor de Deus
A palavra “mundo” aqui, do original “kosmos”,
aponta para a criação; para tudo o que Deus maravilhosamente criou dizendo que
tudo era “bom” e “muito bom”, incluindo a humanidade conforme à
sua imagem. Tudo perfeitamente ordenado, adornado e decorado conforme as perfeições
de Deus. Quando nos lembramos disso, e do estrago causado pelo pecado, não fica
difícil concluir o porquê de Deus ter amado o mundo de tal maneira. Tudo havia
se estragado pelo pecado e Deus enviou e sacrificou o seu Filho para ampliar a
beleza original do universo e dar vida eterna a todos quantos creem em Jesus. A
palavra “todo” aponta para pessoas de todos os tempos e todos
os lugares; pessoas espiritual e moralmente caídas por causa do pecado.
É importante citar também que, como iremos ler, o contexto
mediato traz outras expressões do mesmo campo semântico de “nascer de novo”;
são elas: “nascido da água e do Espírito”; e, “nascido de Deus”.
Em outras palavras, todas essas expressões querem dizer a mesma coisa, ou seja,
ser regenerado (gerado de novo; recriado) pelo poder de Deus e
segundo a vontade de Deus.
Nicodemos era um mestre da seita dos fariseus; um dos
principais dentre os judeus, que, segundo a Palavra, juntamente com outros
mestres religiosos, sabia que Jesus era um “Mestre vindo da parte da Deus”.
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu
Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida
eterna.”, infelizmente, já foi anunciado inúmeras vezes fora de contexto. Logo,
para entendermos bem esta passagem e as suas aplicações para os nossos dias e
vivências, como um filme que inicia com parte de uma cena lá do final e, em
seguida, volta no tempo para sabermos como as coisas chegaram até ali, nós
precisaremos voltar um pouco até o versículo 23 do capítulo 2 e pensar algumas
coisas em torno de 04 pontos: 1) Jesus conhece a natureza humana; 2) Nicodemos
e a sua representatividade; 3) Cristo: o antítipo da serpente de bronze; e, 4)
Cristo: o portador dos pecados e o autor da nossa salvação. Na sequência dos
quatro pontos, as considerações finais.
Porque foi o soberano Deus que, em seu infinito amor, enviou
o seu Filho ao mundo, nós precisamos conhecer as implicações desta obra
gloriosa. Vamos aos pontos!
Jesus conhece a natureza humana
O Espírito Santo, por meio do evangelista, registra que
Jesus “sabia o que era a natureza humana”. O Espírito diz isso
precisamente um pouco antes de Jesus dizer a Nicodemos, com toda ênfase: “Em
verdade, em verdade lhe digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o
Reino de Deus.”.
Jesus “sabia o que era a natureza humana” tem pelo
menos duas implicações: 1ª) o Espírito Santo inspira João e este entende e
registra o que já havia escrito desde o primeiro capítulo deste evangelho: “o
Verbo se fez carne e habitou entre nós” (i.e., Jesus tem duas naturezas;
divina e humana; sobre isso não trataremos aqui); 2ª) Jesus conhecia a vileza
da natureza humana e respondeu a questão que o mestre fariseu trazia no
coração, antes mesmo que Nicodemos fizesse qualquer pergunta.
Jesus disse abertamente ao mestre do sistema religioso mais
hipócrita da sua época que “se alguém não nascer de novo, não pode ver o
Reino de Deus.”. Que palavra poderosa contra a hipocrisia religiosa! Para
quem o procurou “de noite” para evitar qualquer tipo de embaraço,
Nicodemos ficou tão desconcertado como as diretas e certeiras palavras de
Jesus, que chegou ao ponto de, mesmo sendo um dos principais mestres dentre os
judeus, dizer algo tão absurdo quanto: “Como pode um homem nascer, sendo
velho? Será que pode voltar ao ventre materno e nascer uma segunda vez?”.
Como é bom saber que não há quem não fique desnorteado com as palavras
certeiras de Jesus! Como é bom saber que não há quem seja tão culto e
proeminente ao ponto de conseguir esconder as suas fraquezas aos olhos de
Jesus! Leitor, todas as coisas estão patentes aos olhos de Cristo. Diante dele,
todos nós estamos totalmente expostos. Todos os nossos pecados são plena e
perfeitamente conhecidos por Ele, não fazendo a menor diferença a posição que
você ocupa dentro ou fora de uma estrutura religiosa (a posição de Nicodemos
era de proeminência religiosa e secular). Se Cristo não nos cobrir com a sua
graça, tal como os nossos primeiros pais tiveram a nudez coberta pelas mãos do
próprio Deus lá no Éden, viveríamos sem qualquer esperança inabalável de
salvação. Leitor, o Senhor conhece a sua natureza e todos os seus pecados
“ocultos”. Sem Cristo não há outro “destino” se não perecer.
Arrependa-se dos pecados e creia em Jesus Cristo; sem Cristo, não há esperança
de vida eterna!
Nicodemos e sua representatividade
Nesta passagem bíblica, a figura de Nicodemos é
representativa a todos nós e a resposta de Jesus às escondidas, antes mesmo de
qualquer pergunta, revela que Ele soberanamente conhece o que se passa no
íntimo de todos os seres humanos e lá, às escondidas, no íntimo, em algum
momento inesperado na história de cada pessoa, Ele diz: “quem não nascer da
água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus.”. Em outras palavras,
quem não for “nascido de Deus”, regenerado (gerado de novo; recriado)
pelo poder do Deus Triúno, não apenas não pode entrar no Reino de Deus,
mas sequer consegue vê-lo com os olhos espirituais, pois não tem a fé
dos “nascidos de novo” para fazê-lo. O texto sugere, pelas perguntas sem
sentido que Nicodemos fez, que ele não estava esperando ouvir o que ouviu. Que
seja assim como você, leitor! Que o amor de Cristo abale as suas estruturas,
lhe faça ver que a vida sem Cristo é uma ilusão e que, como veremos mais
adiante, somente em Cristo temos o perdão dos pecados e a graça de viver em
correto relacionamento com Deus!
Cristo: o antítipo da serpente
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu
Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida
eterna.”, implica, como consta nos dois versículos anteriores, entender a
relação de Jesus com àquela serpente de bronze que Moisés levantou no deserto (Números
21:9). Nos versículos 14 e 15, o Espírito nos diz: “E assim como Moisés
levantou a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem
seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna.”. Se não
pensarmos isoladamente no versículo 16, como, infelizmente, fazem os mais
desprovidos de cuidado e temor, a conclusão inevitável é que “Deus amou o
mundo de tal maneira que deu o seu único Filho para ser levantado (como àquela
serpente) naquela haste (cruz) como maldito em nosso lugar, para que todo o que
nele crê não pereça em sua natureza humana caída e pecaminosa, mas tenha a vida
eterna no novo nascimento naquele que morreu pelos nossos pecados e ressuscitou
para nossa justificação”. Que amor da parte de Deus! Se Deus não tivesse
enviado o Seu único Filho para nos dizer tudo o que Ele disse e realizar a sua
gloriosa obra, nós todos estaríamos seguindo no caminho que escolhemos seguir,
de costas para Deus, como seus inimigos, malditos, condenados, mortos em pecado
e rumo à morte eterna. Graças e Deus por seu tão grande e infinito amor!
Cristo: o portador dos pecados e o autor da nossa salvação
Sim! É estranho que Cristo seja o antítipo
(realidade) de uma serpente (naquela passagem em Números, um tipo de
Cristo no Antigo Testamento). Quando olhamos para a figura da serpente no
Antigo Testamento, lembramos logo do diabo. Quando olhamos para ela no livro do
Apocalipse, as coisas não melhoram; vemos o diabo de novo; àquela “antiga
serpente” como um dragão horroroso. As serpentes que picaram os filhos de
Israel no deserto eram uma maldição sobre o povo e um símbolo daquela maldição
foi cerimonialmente levantado no deserto para que os filhos de Israel que
olhassem para ele fossem curados, quando eram mordidos.
O veneno mortal das serpentes abrasadoras lá do deserto representa o
pecado que, se não for tirado, enseja inevitavelmente na morte eterna para
todos os homens. Quando Cristo, o Filho perfeito, o Portador dos nossos pecados
foi levantado como maldito naquela cruz, Ele se tornou o antítipo
daquela serpente. Por isso, quando somos convencidos pelo Espírito de que somos
pecadores, olhamos com os olhos da fé para Cristo que, levando sobre si os nossos
pecados, “se fez maldição por nós” e nos substituiu no madeiro da
morte, bebendo do cálice da ira de Deus até a última gota e, dessa forma,
revelando Deus como: 1) Justo (Ele abriu as comportas de ódio e derramou
um dilúvio de ira sobre o Portador dos pecados); e, 2) como Justificador
daqueles que olham para Cristo e, pela fé na Sua vida e obra, recebem, pelos
méritos de Cristo — repetindo: pelos méritos de Cristo —, por imputação, por
declaração de justiça e pela graça de Deus somente, o perdão de todos (todos)
os pecados. Louvado seja Deus por Sua fidelidade demonstrada ao Filho, que, por
ter descido à prisão mais escura, foi liberto de lá porque pagou a nossa dívida
até último centavo! Depois de ter sido abandonado por Deus por um tempo e de
ter sofrido na cruz o equivalente ao sofrimento do abandono por toda a eternidade,
o Filho perfeito, justo, em tudo obediente, pagou a nossa dívida por completo junto
ao Pai e ressuscitou para justificação eterna de todos quantos olham para Ele e
depositam toda a confiança. Leitor, é por isso que a Escritura diz que “Deus
amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que
nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”. Aleluia!
Concluindo
Deus estabeleceu uma aliança com os nossos primeiros pais,
Adão e Eva, e com todos nós neles. Em linhas gerais, pela primeira transgressão
o pecado entrou no mundo, desfigurou a imagem de Deus no homem e levou a
humanidade à morte espiritual. O homem se tornou inimigo de Deus e o “mundo”
(kosmos”) foi transtornado por causa da nossa transgressão. Quando no
começo deste mesmo evangelho, João aponta para Jesus e cheio do Espírito Santo anuncia
“Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!”, João não apenas
antecipou o que estava reservado para o dia da expiação dos pecados operada por
Jesus Cristo no calvário, mas também fez a antecipação do que acontecerá no
segundo advento de Cristo, onde os crentes ressuscitarão, os que estiverem
vivos serão juntamente com eles arrebatados e transformados e estaremos com o
Senhor para sempre em estado de glória eterna na pátria celestial. Se pela
transgressão de um só (Adão) o pecado entrou no mundo e fez cair todas as
coisas, mais poderosa é a obediência do segundo Adão (Cristo), que, pela graça
de Deus, na cruz operou a nossa redenção e garantiu a restauração futura de
todas as coisas.
É na perspectiva dessas coisas que devemos entender João
3:16 — “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho
unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”. No
início dissemos: “Porque foi o soberano Deus que, em seu infinito amor, enviou
o seu Filho ao mundo, nós precisamos conhecer as implicações desta obra
gloriosa.
Creio que pelo poder do Espírito, durante a leitura do
texto, você recebeu mais luz para entender o que está em questão aqui (i.e., a
sua alma e onde ela passará toda a eternidade; se em consolação eterna na
presença de Deus, ou, perecer em tormento eterno num lago de fogo que jamais se
apagará). Diante dessas coisas, qual será a sua resposta? Irá permanecer em
seus pecados sem fé no Filho de Deus, ou, decidirá pelo arrependimento e pela
vida eterna que é o próprio Cristo; o Filho que Deus deu ao mundo para operar
tão gloriosa salvação?! E você, crente, como Nicodemos, já não passou da hora
de abandonar de vez a hipocrisia religiosa e se apegar com todo o seu coração
ao Senhor de Jesus e à sua obra?!
Louvado seja o Senhor por sua providência!
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