Fé para Tempos Difíceis - 1/2

Por: A.L. Cabral

 

2 João 1-6


1 O presbítero

à senhora eleita e aos seus filhos, a quem amo na verdade, — e não apenas eu os amo, mas também todos os que conhecem a verdade — 2 por causa da verdade que permanece em nós e estará conosco para sempre.

3 A graça, a misericórdia e a paz da parte de Deus Pai e de Jesus Cristo, seu Filho, estarão conosco em verdade e em amor.

4 Ao encontrar alguns dos seus filhos, muito me alegrei, pois eles estão andando na verdade, conforme o mandamento que recebemos do Pai. 5 E agora eu lhe peço, senhora — não como se estivesse escrevendo um mandamento novo, mas o que já tínhamos desde o princípio — que amemos uns aos outros. 6 E este é o amor: que andemos em obediência aos seus mandamentos. Como vocês já têm ouvido desde o princípio, o mandamento é este: Que vocês andem em amor.


O texto em referência traz uma dentre as últimas inspirações que João teve não muito tempo antes de receber as revelações do Apocalipse. E essa antecipação tão próxima é bastante significativa e fortalecedora.

Diante do cenário que se revela diante de nós, cenário que abarca crises em múltiplas frentes, sobretudo, a grande crise mundial de ordem sanitária, econômica e social, evolvendo doenças, fome, violência, ideologias, culturas, e, considerando que é correto afirmar que é improvável, mas possível que os sinais de Mateus 24 já tenham acontecido, exceto os sinais cósmicos, preocupações a propósito do fim dos tempos tem afligido profundamente o coração das pessoas. Contudo, é importante crer nestas palavras do apóstolo João, pois, olhando com cuidado, vemos o quanto o Senhor se preocupa e prepara o seu povo, assim como fez nos tempos antigos, fortalecendo-o para o futuro.

Destacamos aqui três pontos no sentido da edificação e fortalecimento da nossa fé: 1º) a verdade que permanece em nós estará conosco para sempre; 2º) a graça, a misericórdia e a paz estarão conosco para sempre; 3º) o amor que procede da obediência aos santos mandamentos estará conosco para sempre.


Vejamos brevemente:


A verdade que permanece em nós estará conosco para sempre

O Espírito “escreveu” à igreja, aos filhos eleitos de Deus, escolhidos em Cristo desde a eternidade. Escreveu a todos quanto foram, são e serão chamados ao arrependimento e à obediência ao evangelho do nosso Senhor Jesus Cristo. Os que em verdade forem encontrados, pela graça de Deus somente, nesta gloriosa condição, devem guardar, por meio da fé inabalável, e a despeito das calamidades que estão por vir, que a verdade — que é o próprio Cristo —, que, graças a Deus, permanece em nós, estará conosco para sempre. Para sempre! Não há nada na criação que possa prevalecer a verdade que está em nós e que estará conosco por toda eternidade. O ateísmo, as falsas crenças, as ideologias, as vãs filosofias, as pestes, a fome, a violência, nada, nada, pode nos separar da verdade, do nosso glorioso Senhor, do seu sacrossanto evangelho, da sua proteção, do seu infinito amor. O pior cenário apocalíptico que podemos imaginar não poderá nos separar de Deus, nosso Pai, e, do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo!

Sendo ainda mais específica, a Palavra não para por aí. Prossigamos para o segundo ponto.


A graça, a misericórdia e a paz estarão conosco para sempre

Não lemos no versículo três que “A graça, a misericórdia e a paz da parte de Deus Pai e de Jesus Cristo, seu Filho, estarão conosco em verdade e em amor.”?! Se a verdade que permanece em nós estará conosco para sempre, logo “A graça, a misericórdia e a paz da parte de Deus Pai e de Jesus Cristo, seu Filho, estarão conosco” para sempre. Aleluia!

É importante notar que o Senhor, como protegeu a Noé, e a todos que com ele estavam, ante ao juízo pelas águas do dilúvio, nos protegerá e nos guardará (no) princípio das dores, (na) grande tribulação e (no) Dia do Juízo Final. Nos guardará por sua própria presença, graça, misericórdia e paz. O nosso Senhor sabe o quanto somos fracos e nos escolheu em Cristo para sermos o seu povo e irá nos proteger para além do Juízo, guardando-nos para si mesmo e por toda eternidade. Pela graça somos salvos, pela sua misericórdia não somos consumidos, e, a despeito dos medos, do alto somos alcançados por sua paz indescritível! O Juízo está às portas. O clímax do apocalipse está próximo. Mas a sua igreja, o seu povo eleito, passará, desta vez, não pela água, mas pelo fogo e em paz! Em paz, não indiferente ou como ignorante; afinal, a verdade estará conosco para sempre!

Vamos ao terceiro e último ponto.


O amor que procede da obediência aos mandamentos estará conosco para sempre

O ponto agora é o amor. É muito comum ouvirmos mensagens sobre amor. Curiosamente, o amor tratado nesta passagem é o amor que deve existir entre os crentes e que não vem de outra forma, a não ser pela obediência à Palavra de Deus. Os mandamentos de Deus, entre outras graças, produzem, quando obedecidos, o amor que precisamos experimentar mutuamente. Um amor santo, justo e bom. Um amor que, entre outras graças, coopera para o encorajamento e fortalecimento mútuos, porque é o amor que vem de Deus; amor que é paciente, bondoso, que  não inveja, não se vangloria, não se orgulha, não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor, que não se alegra com a injustiça, mas com a verdade, que tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta; amor que nunca perece.

É importante notar que João faz referência à verdade e ao amor em paralelo, promovendo ao final na unidade sua ligação direta com a obediência. Trata-se de quase uma repetição da passagem no evangelho também escrito por ele,  que consta no capítulo 14, versículo 24a, que diz: “Aquele que não me ama não obedece às minhas palavras.”; contudo, um pouco antes, nos versículos 15 e 21, inspirado, deixou registrado: 15Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos. 21Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que me ama. Aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me revelarei a ele.”.

O cerne aqui é andar em amor, que certamente contrasta com andar em pecado. Enquanto andar em pecado significa andar de modo errante/errático, em desobediência em relação aos santos, justos e bons mandamentos de Deus, andar em amor significa andar em obediência; andar em santidade, justiça e bondade. Quando andamos em obediência, na luz, em amor, pela graça de Deus, podemos afirmar com conforto que Deus é por nós e que nada pode nos tirar da sua proteção. Mas, aquele que anda nas trevas, em desobediência à Palavra de Deus, é inimigo de Deus, de modo que não há nada na criação que possa livrá-lo das mãos do Deus irado contra o pecado e contra os pecadores não arrependidos; pecadores não confessos e que negam a Cristo e sua suficiência para salvação no presente e no Dia do Juízo Final. Tais pecadores não resistirão no Dia do Juízo, do qual, pela ressurreição dos mortos, ninguém escapará; e, quando condenados, pois, para tais pecadores não há salvação, sofrerão eternamente o salário dos pecados e da impenitência, a saber: a morte eterna; o tormento da eterna ausência da presença consoladora de Deus, o Todo-Poderoso e Pai no nosso Senhor Jesus Cristo.


Concluindo

Na primeira parte, vimos que a verdade — o próprio Cristo — permanece em nós estará conosco para sempre. Logo, as falsas crenças, as ideologias, as vãs filosofias, as pestes, a fome, a violência, não podem nos separar do nosso Senhor, do glorioso evangelho, da sua proteção, do seu infinito amor. Na segunda parte, destacamos que, em virtude da verdade inseparável, a graça, a misericórdia e a paz indescritível estarão conosco para sempre, e, a despeito das nossas fraquezas e medos, seremos guardados no princípio das dores, na grande tribulação e no Dia do Juízo Final, para estarmos com o Senhor por toda eternidade. Na terceira e última parte, que o amor que procede da obediência aos mandamentos estará conosco para sempre; um amor santo, justo e bom. Um amor que, entre outras graças, coopera para o encorajamento e fortalecimento mútuos, porque é o amor que vem de Deus, que nos leva à andar em santidade, justiça e bondade.

Por fim, a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus. Creia na Palavra. Creia ainda mais na Palavra. Arrependa-se dos pecados. Arrependa-se dos pecados diariamente. Creia intensamente em Cristo como seu único e suficiente salvador; fora dele não há outro. Aparte-se, com intensa sinceridade, de todas as formas de imoralidade sexual e idolatria. Apegue-se ao Senhor. Apegue-se ainda mais ao Senhor. Conheça o Senhor. Prossiga em conhecer ainda mais ao Senhor. O Espírito irá produzir e fazer crescer em nós todas as bênçãos das quais necessitamos para passarmos pelo o que tivermos que passar, vivendo as nossas vidas em Cristo para a glória de Deus, a despeito das circunstâncias.

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