Reflexões sobre Oração

Por: A.L. Cabral

 

Esta breve reflexão sobre oração passa por três perguntas importantes: 1ª) Por que devemos orar?; 2ª) Pelo o que devemos orar?; 3ª) O que há de especial nas orações que Jesus fez e nem sempre está presente em nossas orações?


Por que devemos orar?

A prática da oração coopera para expansão da nossa consciência a propósito do tipo de vida que Deus deseja que vivamos enquanto estamos no mundo. À medida em que amadurece o nosso relacionamento com Deus por meio da sua Palavra e da oração, as nossas expectativas terrenas desvanecem ao passo que vai se tornando cada vez mais nítida a realidade celestial. Nesta perseverança, por obra do Deus-Trino, não só nos tornamos mais esclarecidos sobre o mundo visível, como também a nossa fé é aperfeiçoada para o entendimento daquilo que não se pode ver, o que inclui um drama espiritual no qual estamos inseridos e incumbidos de, entre outras coisas, pregar a Palavra e fazer subir as nossas orações ante o tabernáculo celeste no qual o próprio Cristo, nosso sumo sacerdote supremo, está ministrando diuturnamente em favor do seu povo.   

A fé não é estranha aos nossos sentidos físicos e intuitivos, mas é superior a todos eles juntos, porque é somente por meio dela que podemos acessar (i) a dramática realidade espiritual na qual todos estão envolvidos, (ii) crer que Deus existe, (iii) que ele odeia o pecado e é inimigo do pecador impenitente, (iv) que ele é justo, e, (v) que ele é o galardoador para todos os pecadores arrependidos que o buscam com sinceridade e de acordo com a sua Palavra. Se por um lado o Senhor nos dá a fé para orarmos, por outro a fé pela oração é aperfeiçoada. A prática da oração coopera para expansão da consciência sobre a nossa nova vida em Cristo, a fim de vivermos neste mundo para a glória de Deus, fazendo subir pedidos verdadeiramente amoldados pela santíssima Palavra de Deus.

 

Pelo o que devemos orar?

A primeira pergunta a ser feita é a seguinte: Pelo o que não devemos orar? De acordo com os evangelistas, não devemos orar para satisfação dos nossos interesses pessoais. Como o apóstolo Paulo deixou claramente exposto que ninguém busca os interesses de Cristo, fica de igual modo claro que, em nossas orações, devemos procurar deixar de lado os nossos próprios interesses e orar pelos interesses do Senhor. É claro que, se assim o fizermos, seremos profundamente abençoados e supridos em tudo, assim como a nossa alegria será completa, pois é promessa do Senhor, que nos chama para priorizar o Reino de Deus e a sua Justiça. Cristo nos convoca para buscarmos os seus interesses e não os nossos, logo deveríamos orar pelos interesses dele, muito bem detalhados em seu ministério e no ministério do Espírito por meio dos santos apóstolos.

Como vimos no ponto anterior, ao passo em que a fé e a oração expandem a consciência a propósito do real-espiritual, os motivos genuinamente bíblicos de oração vão se consolidando gradativamente e, em certo sentido, o mais urgente de todos os motivos é a Iluminação do nosso entendimento para apreendermos as verdades espirituais. Sem esta iluminação, seguiríamos, no mínimo, sinceramente enganados na jornada de edificação espiritual.

O mais importante para o nosso entendimento nesta matéria não são os motivos em si, mas a base na qual os motivos legítimos de oração repousam, a saber: orar em nome de Jesus. Orar em nome de Jesus não tem nada a ver com agrupar palavras, frases e sentenças e, ao final, acrescentar: "em nome de Jesus". Orar em nome de Jesus é conversar com Deus movidos pelos mesmos motivos de Cristo, fazendo os mesmos pedidos que Jesus fez. O único que faz isso em perfeição é o Espírito Santo. Quanto mais iluminação recebermos da parte do Espírito, por meio da Palavra e da oração, mais as nossas expectativas e pedidos estarão ajustados à mente de Cristo. Isso é o que significa orar em nome de Jesus e é assim que as nossas orações são respondidas.

Você pode perguntar: Mas, quando eu oro pela cura de uma enfermidade?! Na oração pela cura de uma doença, podemos ter a certeza de que seremos curados? Sim! Pela fé sabemos que Deus é poderoso para nos curar de qualquer doença enquanto estamos por aqui. Também sabemos que ele não irá nos curar se tal cura não estiver em seus planos. Mas, mesmo assim, devo ter a certeza de que serei curado? Claro que sim! Por quê? Porque, em breve, toda a nossa corrupção será revestida de incorruptibilidade; a morte de imortalidade. Logo, todos aqueles que pedirem a cura com a verdadeira fé serão curados; uns ainda na vida terrena, mas todos para eternidade.

Outro ponto teológico e filosoficamente importantíssimo é que, segundo o próprio Cristo, montanhas podem ser precipitadas ao mar ante o poder de Deus em respostas às nossas orações. Não podemos nos esquecer que Deus fez a Terra parar quando Josué e o povo na guerra precisaram do sol por mais tempo e que de modo semelhante abençoou Ezequias, contendo e invertendo o movimento de corpos celestes, fazendo o tempo retroceder para curá-lo. Estas passagens, e muitas outras, entre outros ensinamentos, nos mostram que para Deus não há impossíveis e nos ensina que, como no mundo físico não podem coexistir uma força irresistível e um objeto imóvel, nenhuma condição pode permanecer estável querendo Deus agir sobre ela como seu irresistível poder/ser. Esta parece uma das grandes lições de passagens que trazem acontecimentos que ao homem parecem ser inequivocamente impossíveis. Nada pode resistir ao poder de Deus e nós temos o privilégio de, pela oração, participar dos seus feitos maravilhosos.

 

O que há de especial nas orações que Jesus fez e nem sempre está presente em nossas orações?  

Íntima compaixão. Todo o ser do Salvador estava sempre presente, e em plenitude, em seus momentos de oração, fossem os momentos breves ou prolongados. Oração não é um meio de graça que passa apenas pelas faculdades intelectuais, nem tampouco apenas pelas graças emocionais. Todo o nosso ser deve estar presente na oração. Orar deve ser uma prática de convergência de todas as graças de ordem intelectual e emocional que Deus nos deu, que, quando governadas por sua santa Palavra, irrompem em conversas e pedidos que as nossas bocas não são capazes de conter. A consciência e indignação quanto ao pecado devem estar presentes em grau máximo. A consciência e dores verdadeiras sobre os nossos sofrimentos e os sofrimentos alheios devem estar presentes em grau máximo. Em outras palavras, a oração é intelectual e é emocional. Não pode ser sozinha uma coisa ou outra. Não dever ser apenas um atenuante para dor de consciência quando nos encontramos afastados dos deveres espirituais, nem deve ser motivada por frivolidades emocionais sem propósito biblicamente genuíno.

Empatia é uma palavra amplamente usada atualmente que pode nos ajudar entender melhor a questão. Empatia significa, em linhas gerais, sentir o que se sentiria caso estivesse no lugar ou circunstâncias experimentadas por outras pessoas e orientar o comportamento neste sentido. Logo, a empatia envolve, colocar-se cognitiva e afetuosamente no lugar dos outros, e, mover-se neste sentido. Em nosso caso, mover-se em oração e apresentando os nossos pedidos a Deus com toda nossa mente, coração, força e entendimento. É quando o ato de orar está intimamente ligado ao primeiro mandamento e quando governam as nossas conversas e pedidos: (i) a consciência de que Deus é o nosso Pai e que isso só é possível na pessoa de Jesus Cristo; (ii) que ele é sobre todas as coisas, portanto não há nada que seja impossível para ele; (iii) que mesmo estando sobre todas as coisas também está perto (dentro) de nós; (iv) que ele é santo, incomum, ou seja, que não há outro ser com ele; (v) que a maior de todas as expectativas do nosso coração deve ser a vinda do Rei e do Reino; (vi) que a vontade deste Senhor perfeito e maravilhoso irá prevalecer sobre tudo e todas as coisas; (vii) que ele é quem nos sustenta física, emocional e espiritualmente; (viii) que perdoa os nossos pecados e nos dá um coração misericordioso; (ix) que não nos deixa cair em tentações; e, (x) que nos livra mal que há em nossa natureza caída, no mundo e do mal que vem da parte do próprio Satanás e seus demônios. Isto tudo porque ele é o soberano ao qual pertencem o Reino, o poder e glória para sempre!

Precisamos nos colocar integralmente no lugar das pessoas enfermas pelas quais oramos, no lugar do povo que sofre por causa da corrupção endêmica, no lugar dos jovens que estão sendo ideologizados e recrutados nas universidades como massa de manobra para fins políticos desonrosos, no lugar das crianças cujo entendimento está sendo sequestrado pela ideologia de gênero, no lugar das pessoas que sofrem por causa de discriminação racial, no lugar das vítimas da violência que não são ouvidas e, por vezes, se tornam réus na tentativa de preservar a própria vida e/ou dos seus familiares e amigos, no lugar dos nossos irmãos que estão sofrendo perseguição mortal pelo mundo, no lugar das pessoas que estão sendo privadas de suas garantias e liberdades individuais, no lugar das pessoas que sofrem por causa das drogas, crises financeiras, maus-tratos, pedofilia, abortos, depressão, frieza e mornidão espiritual, no lugar das pessoas escravizadas no pecado, sem o Deus-Trino no mundo e sem esperança de consolação eterna.

Nós temos, sim, muitos motivos para orar sem cessar, enquanto a trama espiritual não terminou. O Senhor dos Exércitos está em batalha; batalha que está rumando para o seu clímax. Nós fazemos parte das suas fileiras. De todos os seres que Deus criou, nós somos os seres humanos; seres humanos que, dentre muitos, foram escolhidos, chamados, justificados e equipados com armas espirituais para a batalha; e, uma das armas é a oração. Ore! Combata o bom combate da fé!


Concluindo

Por que devemos orar?; Pelo o que devemos orar?; e, O que há de especial nas orações que Jesus fez e nem sempre está presente em nossas orações? A prática da oração coopera para expansão da consciência sobre a nossa nova vida em Cristo, a fim de vivermos neste mundo para a glória de Deus, fazendo subir pedidos verdadeiramente amoldados pela santíssima Palavra. Cristo nos convoca para buscarmos os seus interesses e não os nossos, logo deveríamos orar pelos interesses dele, muito bem detalhados em seu ministério e no ministério do Espírito por meio dos santos apóstolos. O mais urgente de todos os motivos de oração é a Iluminação do nosso entendimento para apreendermos as verdades espirituais. Sem esta iluminação, seguiríamos, no mínimo, sinceramente enganados na jornada de edificação espiritual. Quanto mais iluminação recebermos da parte do Espírito, por meio da Palavra e da oração, mais as nossas expectativas e pedidos estarão ajustados à mente de Cristo. Nada pode resistir ao poder de Deus e nós temos o privilégio de, pela oração, participar dos seus feitos maravilhosos. Todo o nosso ser deve estar presente na oração. Orar deve ser uma prática de convergência de todas as graças de ordem intelectual e emocional que Deus nos deu, que, quando governadas por sua santa Palavra, irrompem em conversas e pedidos que as nossas bocas não são capazes de conter. De todos os seres que Deus criou, nós somos os seres humanos; seres escolhidos dentre muitos, chamados, justificados e equipados com armas espirituais para a batalha; e, uma das armas é a oração. Converse constantemente com o Senhor da sua vida, amando-o profundamente por meio da sua Palavra e fé!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A prática da Palavra orientada pela Palavra: reflexões sobre a observância da Palavra de Deus

A estreita relação da sabedoria de Deus — ou da falta dela — com os nossos dramas existenciais

O Glorioso Amor de Deus